domingo, 9 de julho de 2017

Flores



Entusiastas no circo de horrores
Em dores castas castrando amores
De liberdade pra que veio ao mundo
Inunda laudas desse absurdo
Seres cruéis que batem o martelo
Um ser amável em tons de amarelo
Esquece o pote com teu sentimento
No para-choque sangue escorrendo
O paraquedas se perdeu no tempo
Elucidando contra argumento
Em doce forma gotas de veneno
Clama rumores procurando Nemo
Peixe palhaço servindo aurores
Aurora torpe boreal em flores

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Fim



E então secam as chances e o caminho se apaga

Foi longa a caminhada? Passos no vazio
Espaços vazios e espasmos na alma
A dor não é psicológica
O peito vibra, a chaga abre
De que valeu?
Enfim o corpo dói
No fim foram só palavras não ditas
Brigas a toa
Tempo perdido?
Em falar em tempo, quem é mesmo que sempre estaria aqui pra formar um futuro?

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A.


E ela que tanto sonhou voar com o palhaço
Arranjou novas asas e partiu com mil pedras nos pés
O ar? Fugiu e, tal brasa a qual aquecia, hoje derrete o aço
Do peito que arde em meio ao caos que a mente propõe
Fé? E de que vale ser mais um dia quando o corte muda o caminho
Só...
Sozinho...
E mais uma vez...
A claridade incomoda, mas talvez ela seja a luz que falta nos dias cinza
São duas...
Não entenda mal, São opostos em apenas um corpo
A louca e o amor
O que detesto e o que amo
A briga e o sorriso
Talvez foi um sonho não dormir pra te ver sonhar
Vai ver fugi de mim mesmo por não te aceitar
Vai ver sei o quanto sou ruim a ponto de saber que sempre vai merecer mais que o meu melhor
Mas vai ver eu sempre exagero na distância chorando proximidade.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Tempo líquido



Estou perdido a algumas milhas nesse tempo espaço
Num curto espaço de tempo que interage de acordo como ajo
Pois houve um tempo que pro Tempo não importa o que faço
"Parametria" de agouro bate penal estilo Roberto Baggio (94)
Não compreende a própria vida e diz que entende uma linha de Mobb
Te ouço e sorrio, pois penso comigo "Será que isso pode?"
Contemporâneo, amor líquido, outro gole e a alma morre
Bauman disse as relações por entre vãos dos dedos escorrem
Compram cura que não dura traz clausura e servem pr'um papel impresso
Vejo gravura da cultura que perdura e assume a culpa "Do trabalho moderno"
Derramam sonhos que se apagam, desce mais uma dose
Destroçam sonhos que se apagam, uma bebida mais forte
Queima o peito essa chaga, a dor de um novo corte
Desce macio porém maltrata, é um veneno e distorce
Da minha mente em um segundo, a hora virou minuto
Essa contagem foi tão fria, então quem cria isso tudo?

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Salvador



Conduzindo a largos passos que alastra o lastro
Solto os pesos que me prendem em busca da ascensão
Do lábaro estrelado a vergonha sobe em mastro
Da lama que os move julguem a Samarco da podridão
Porque em terra de cego o pastor é rei
Não entendo ditados, esse acertei
Porque em terra de cego o pastor é rei
Não entendo ditados, esse acertei
Livrai-nos de profetas da corrupção
Livrai-nos das correntes, alienação
Os aliens perdem naves, salve Salvador
Estacione e me dê lucro, ACM assinou
A barra tá pesada, olho vivo e faro fino
A Barra restaurada, ricos vivos vendem pino

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Reis



Coletam vidas sem ser pares com a morte
Castram direitos mais vitais com os cortes
Extinguem sonhos com palavras de posse
Pois ser não cabe e se inflam no ego
Nó cego em atas que assina o rei cego
Brincam de lego com suas vidas vazias
Batem panelas os que se poem no centro
Calam as bocas com o golpe que a alma esfria
Exaltam Deuses que lhe roubam por dentro
A carne queima e derrama a oferta
O sangue vibra na mudança de era
Soma do ódio subtrai o que espera
Sol monetário e um vulcão que hiberna
E nada muda na cidade do ser
Sertão me arde, mais um alvorecer
Ser tão sagaz quanto Djehuty
Pois o seu ter no fim da chuva ilude

quarta-feira, 17 de maio de 2017

E aí?




Eu tenho sonhos que não cabem mais em mim
Essas coisas, a vida, a família, o saber o ponto de partida
Psicotrópico ativo sentido, o lugar onde vivo
E a ausência que causa o meu fim

Toda saudade incessante é uma merda
No meu som toca um Fela
Já cansei da espera, pois eu sei que é ela
E aí?

Não vou falar que não sei o que sinto
Pois intenso é o grito que crava teu nome em mim
Uma caneca, na gaveta uns livros, perfume, líbido
E os seus sons permanecem aqui

Queria parar de escrever essa letra
Mas o meu racional já não manda e escrevi
Tipo Atlas, sinto o peso do mundo nos ombros
Isso afeta o meu sono, há um tempo não te vejo sorrir

Toda saudade incessante é uma merda
No meu som toca um Fela
Já cansei da espera, pois eu sei que é ela
E aí?
Os meus transtornos não me causam medo
Tuas cores, teus beijos, tentar outro filme ou não?
A noite cai e na mente lembrança, queria esperança
Quem sabe outra dança, mas no fim eu aqui e tu aí...