quarta-feira, 24 de maio de 2017

Reis



Coletam vidas sem ser pares com a morte
Castram direitos mais vitais com os cortes
Extinguem sonhos com palavras de posse
Pois ser não cabe e se inflam no ego
Nó cego em atas que assina o rei cego
Brincam de lego com suas vidas vazias
Batem panelas os que se poem no centro
Calam as bocas com o golpe que a alma esfria
Exaltam Deuses que lhe roubam por dentro
A carne queima e derrama a oferta
O sangue vibra na mudança de era
Soma do ódio subtrai o que espera
Sol monetário e um vulcão que hiberna
E nada muda na cidade do ser
Sertão me arde, mais um alvorecer
Ser tão sagaz quanto Djehuty
Pois o seu ter no fim da chuva ilude

quarta-feira, 17 de maio de 2017

E aí?




Eu tenho sonhos que não cabem mais em mim
Essas coisas, a vida, a família, o saber o ponto de partida
Psicotrópico ativo sentido, o lugar onde vivo
E a ausência que causa o meu fim

Toda saudade incessante é uma merda
No meu som toca um Fela
Já cansei da espera, pois eu sei que é ela
E aí?

Não vou falar que não sei o que sinto
Pois intenso é o grito que crava teu nome em mim
Uma caneca, na gaveta uns livros, perfume, líbido
E os seus sons permanecem aqui

Queria parar de escrever essa letra
Mas o meu racional já não manda e escrevi
Tipo Atlas, sinto o peso do mundo nos ombros
Isso afeta o meu sono, há um tempo não te vejo sorrir

Toda saudade incessante é uma merda
No meu som toca um Fela
Já cansei da espera, pois eu sei que é ela
E aí?
Os meus transtornos não me causam medo
Tuas cores, teus beijos, tentar outro filme ou não?
A noite cai e na mente lembrança, queria esperança
Quem sabe outra dança, mas no fim eu aqui e tu aí...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sobre sorrisos



Entre as frases antigas lidas  e frases não ditas
Das linhas rabiscadas, mas jamais expostas
Um erro
Entre os olhares sinceros e bobas perguntas
Das amarras da vida uma liberdade torta
Por entre beijos, lingua e dentes
Saliva
Suor, fumaça, ativa
Sativa
Dos talvez a certeza nunca dita
Dos dias de sol até o fim cinza
Não saem de mim
Os sorrisos que nunca dei.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Sentido



E ainda tento, mesmo remendando os cacos e costurando os cortes que em mim causei (causou)
Custou... A sarar a dor que a alma vestiu, sentiu e não mostrou
Partiu... Não só o ato de ir, mas também o que aqui restou (em mim) de nós
A sós.
Em versos o inverso subverso, tropeço no acaso que causa lembrança
Tamanha...
A estrada que segue bifurcou a vida, seguida, ferida, sofrida
A esmo o coração em chamas á névoa, disperso, disseca, congela
O gelo.
Ardeu sobre as chagas, mas foi preciso, decisivo, incisivo
Do que aqui resta...
As cinzas, a luz, o suor e a luta... Seguir esses caminhos de altas quedas
Tornou-me homem e não uma...
Não ser, dissolver, arbítrio...
Sentido figurado em muita frase, o senti(mento)do.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Sobre o caos que me tornei


Avante! Ouvi gritar em meio a escuridão que assolava a terra, em todo o céu ecoava um brado forte de coragem para que acredite em si pra construir o tão sonhado futuro, pois ainda tinha as moletas que me apoiavam não só as pernas, mas fazia da alma grande, forte e cheia de esperanças. Mas como nada nunca é fácil uma delas se foi ( na verdade em pouco tempo as duas se foram), mas ali ainda estava o ser agora vazio de tudo o que acreditava, mas seguindo pra iludir a vida, afogado em trabalho (pouco reconhecido em seu forte), insone de estudos ( menos reconhecido ainda) e fingindo respirar fundo pra dar mais um passo.
Então em qual curva a razão se foi?
Quantas quedas ainda suportará para reerguer, mesmo sem armaduras?
De que valem as boas palavras?
Terra firme não garante a corrida para um bom voo em terra de cegos tomados pela insanidade de ter muito mais que existir, seria eu fiel a loucura de ser em meio a esse montante de loucura e insensatez que a vida faz em toda caminhada com pedras no caminho? Porque ter asas já não é o bastante em meio aos gigantes que nos roubam o ar quando o verde some sem ao menos queimar.
Não só as rejeições me fizeram caos, mas muitos dos "sim" ou até mesmo o não falar porra nenhuma tenham me feito chegar ao ponto em que partir nada mais é que ruir aos poucos cada fronte de uma fortaleza a qual nunca existiu além dos sonhos. Por Peter, sim, o Pan, aquele que não queria ser adulto... As dores de uma vida até o momento da última linha escrita, seja o caos do que é crescer em mente pra perceber que existir não cabe a um senso comum.

sábado, 28 de novembro de 2015

Sobre o dia que não terminou...



Talvez o mínimo de atenção fizesse diferença, não por mera carência, existia um desespero por perder o chão, eram pensamentos ruins que assolavam a alma, era a falta de ter com quem contar num ano difícil.
Talvez um alguém que sempre pode conversar sobre tudo fosse o bastante pra desabafar e quem sabe chorar em um abraço, quem sabe por mero favor porque sempre que pude e até quando não podia me fiz presente mesmo que pra ouvir reclamações de relacionamentos passados... Mas hoje não, hoje o dia não termina em diálogos, abraço e choro pra depois sorrir, talvez por ego (ou sabe-se lá porque) foi o dia de terminar só com o espírito destroçado, o coração partido e algumas cápsulas que nunca conseguiram fazer efeito.
Esse dia foi difícil, mas se parar pra pensar ele ainda perdura, pois é um dia que não chegou ao fim.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Suor



De todas as cores que a vida me deu
O cinza frio em peito finca
Estaca de aço, afiada e fria
Temor na pele, a sensação morreu
Do amor, as dores
As marcas de guerra
Clamor e chagas
Afaga a face mãos castas
Seca as lágrimas de cego olhar
Do ser pensante ao impensável conforto de ser
Do existir em si que teme o terror do fim
De tudo o que vive, és vida assim?
Talvez seja a lama que aterrou o céu
Talvez as águas que batem com força nas pedras
Ou mesmo anjos e demônios estejam em guerra
Pois no fim do dia a alegria se esvai
Mas no fim da noite em sol virá, a luz
Seja o calor que o peito aquece elevando a alma
Seja o suor que desce em árduo trabalho, a calma.