sábado, 29 de fevereiro de 2020

Pólvora



Pílula vermelha amplia realidade
Nave invade o planeta, caravela rouba e parte
Do descobre dor Cabral, alcunhas do arremate
Formatar novo hino, repôr a integridade
Os Cunhas roubam dinheiro, aos Cunhas que fingem choro
Decaptar cabeças é pouco nesse decoro
Quantias são inválidas quando tempo é o que importa
Quais dias que continha quando ser te põe a prova
Pólvora queima meu povo, projéteis que farda aprova
Desafio sob fogo onde a vida é menor que nota
Anota placa por tempos que acende a descendência
Ancestrais emanam gritos na era da decadência

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

O peso de ser só


Não se trata de solidão física e ou relações interpessoais, mas sim do quanto ser só mais um, pesa para a pele preta. O ep. inicia com a faixa "Crepúsculo dos ídolos" que já abre uma gama do quão difícil é iniciar um projeto (seja artístico ou de vida), pois nada lhe parece bom por entender que só por ser preto já tem que ser mil vezes melhor que você mesmo. Em seguida vem a faixa "Musa (dois lírios)", o nome é dado pela dualidade entre ser só mais um relacionamento entre pessoas ou ser o seu relacionamento com sua inspiração e senso criativo que está a beira de uma crise por todo o seu próprio questionamento do quão bom aquilo de fato é. Aqui chegamos a faixa "Sinal vermelho", que conta com a incrível participação de Ederx e, é tratado como a coletividade tem se baseado em interesses e descarte entre os próprios criadores, dos quais trata-se como iguais em palavras, mas não vivem o que de fato diz, assim terminando em estatísticas.
O gancho deixado pela música anterior constrói a cama da quarta e última música que tem o nome de "Os outros homens" e questiona o que de fato ainda move o ser criador, pondo em prova o cotidiano periférico do artista negro, é exposto seus dramas, amores, traumas, questionamentos e por fim analisado e julgado de forma fria em ambientes que ainda não nos sentimos parte de fato.

Todas as faixas tem instrumentais de Alisson Anjos(Anjxs), captação, mix e masterização de Eder Cruz (Ederx). A capa foi desenhada por Alisson Ramos (Acredite Ramos) e desenvolvida de forma digital por Vinícius Nabuco (velhonabs) e o video de apresentação editado por Yuri Guimarães.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Jantar com os Deuses

Em meio ao caos
Criei um casulo de rochas fortes
Da sorte um sorriso, buscando norte
Papéis rasgados que limpam corte
Cidade em chamas
Os demônios interiores dançam lá fora
A chuva ácida não é a mesma
Outr'ora jantei com Deuses
Hestia manteve o calor da lareira
Os outros eram desprezíveis, pois os criei
Tão semelhante ao ser que sou
Tão inconsequente
E se queimar a carne for menos doloroso
Que a alma queime...
Que seja chamas antes de Caro te cobrar as moedas
Pois da cobrança essa é a menor
O que de fato faz pra si?
O que de fato... Faz pra si?
Então faça você mesmo por você é só...
Só sou...
Ser sol e então arder antes de apagar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Linhas livres

Por onde caminham as certezas?
Um dia ruim pode mudar toda uma visão de vida, pode quebrar laços e fazer tropeçar nas próprias pernas, trazer dores tão incertas que a única certeza é de quem sente. É como se fossem essas linhas escritas pra si mesmo com a dúvida se algum dia serão lidas ou lembradas... Versos são como pessoas.
Cada palavra traz um sentido dentro do que cada um vive e existem olhos que expressam as escolhas de palavras nas frases como se fossem passos, encontra-se beleza nesse olhar que almeja futuro.
Humanos sonham ter asas pra voar, mas com os pés no chão se alcança vôos mais altos e reais, geralmente você acredita que ter retorno com seu trabalho é um sonho simplesmente porque te dizem que isso não é trabalho de fato, mas no fim das contas quem paga as contas pelas suas escolhas?
De que vale a frustração de não viver o que quer?

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Pra mim mesmo


Queria fazer mais love songs, mas tenho amores frustrados
As vez por mim mesmo, cheio de defeito, erros no acerto e um frio no peito
Que me queima como pedras de gelo, passa o tempo e vejo que com o passar dos anos não estou pronto pra mim mesmo
Talvez o eu de agora admire o artista que fui, vai ver o eu de antes nem escute o eu de agora
Onde a alma entra em crise, cria dano irreversível onde a mente implora
Onde a gente decola?
Onde seres desistem?
Onde sente deslize?
Onde sempre existe
Razões do que se foi numa vertente distante
Num instante que ecoa
E essa capa não voa
Ressonância a toa
E quem são as pessoas?
Que me gritam pra pular dessa marquise enquanto salvo cada uma delas
Uma vida em telas
Tão geladas quanto o corpo em que me encontro preso.

terça-feira, 19 de março de 2019

Certo em duvidar



Será que as mudanças nos tornam alguém melhor?
Será que nossas escolhas são sempre as melhores?
Será que podemos voltar atrás quanto a nossas decisões?
Porque de fato, eu queria saber isso, é complicado decidir, seguir um caminho, ter a coragem de dizer que é aquilo o que você quer. E se nada der certo? O que fazer?
Quando seremos donos de nós mesmo e não simplesmente teremos de fazer escolha e deixar que o "destino" decida se vai dar certo?
É tão complicado ser alguém que não tem muitas opções, é tão ruim ter muitas opções sem saber qual a certa, é tão estranho que o que é certo agora pode virar seu erro mortal. E então, o que fazer? E se nada der certo?
Virar hippie?
E quem foi que disse que por se enquadrar em algum estilo de vida você deixa de tomar decisões?
E quem lhe garante que é o melhor a fazer?
Simplesmente é muito ruim não ter certeza do que tentar, mas seria tão chato ter certeza de que tudo daria certo. É triste pensar que o que você planejou e tentou construir pode fracassar.
Tudo é questão de ponto de vista, porém o certo nunca vai existir.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Poesia vazia

Talvez ninguém entenda isso aqui...
Hoje é o terceiro dia que as coisas giram em minha cabeça, passo mal, sinto enjoo e penso seriamente em desistir. Sabe, ficou um vazio no espaço das poesias, pois eram mera união de boas palavras em ações que não condiziam com o caráter.
A um tempo atrás escrevi uma linha que dizia "Algumas punch lines são escritas pra si mesmo", tem alguns dias que percebi o quão forte é essa frase rememorando frases como "Menos ignorância e mais tinta" e "Maldito o homem que confia no homem, a verdade rima"... Essas frases giram ferozmente em minha cabeça e faz com que eu me sinta ingênuo de certa forma.
Os fatos não vão mudar, então nesse momento cada um tem de parar e refletir cada coisa que fez, faz ou pensa em fazer, pra de fato isso ir pra além do julgamento. Não, não estou defendendo a falha, erro e desvio monstruoso de caráter, mas sim admitindo que é necessário ser repensado por cada um.
A quem cometeu as ações que pague seja em forma de processo criminal ou a que for, pois isso foge da minha alçada; de mim cabe o distanciamento, repudia e desprezo total ao indivíduo de tal ato covarde, monstruoso e ainda faltam palavras pra descrever.
A vítima todo apoio e real força de superação desse pesado fardo emocional para seguir leve, pois foram 6 anos na caverna... Então muita luz na sua vida.

No fim eram poesias vazias e um pacote de decepção...
Ele era só um personagem.


Ps.: A faixa "Atual poesia" foi excluída do youtube por motivos óbvios.