sábado, 22 de fevereiro de 2014

Por falar...



Dragões em guerra parecem dançar, mas e o ar que me falta... Ah, o ar de ser ás, ai de mim, ser assim, como a água e não apenas o ar. De onde vem tal tempestade que varre a terra anunciando a destruição, que em cada gota marca a pele... E marco o passo contando por vezes cada linha ou curva que piso na caminhada rumo ao nada.
Tantas noites em claro com o cobertor de escudo, tantos monstros em minha direção caminhando sobre cadeiras e espelhos, tantas quedas... Quantas quedas são necessárias?
Avante? Por onde ando ou por onde seguirei?
Desbravar novos horizontes pra ir além da chuva que ainda dói na alma, pois sinto os furos na pele, ainda arde o calor da lança em chamas que me atravessa o peito, bem onde deixei minha armadura cair. Arde a fúria de bárbaro que perde a batalha, mas ainda vejo os dragões dançando nos céus, enquanto desenho círculos no chão...
E por falar em chão, quem roubou o meu quando concentrei-me em respirar?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aqui



Em terra de cegos e loucos caminha
Desafia a vida que no peito grita
Remenda os cortes das feridas da vida
Um lúdico saber que o coração excita

Utopia e pé no chão tens de sobra
Num mundo regado de falsidade
Dores tardias a tarde arde
Latitude, a longitude dobra

Rasgados, riscos, rabisco
Da tela o papel, a parede
Nasce o sol deitado na rede

Erguei a cabaça que mata a sede
Doutrina imunda inunda o mundo
Sorriso torto a esse absurdo.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013



Seria a loucura exclamação de interrogações ou interrogações de exclamativas?

sábado, 2 de novembro de 2013

Caminho



O sol se esconde em mais um dia cinza
Das memórias permanentes, as passadas
Não serão esquecidas
Idas e vindas mal feitas, distintas
Adeus?

Aos céus não mais vejo a velha estrela
Qual anjo pinta as telas de azul?
Sorrateira dor que escorre aos olhos
Salgada, clara...
Vertigem

Atingem o lado esquerdo não tão exato
Certo de que no último contato
Impar
Fomos par em vida vivida
Eu lembro

Ainda protege o lar de sempre
Não mais no sofá da sala
Um perto distante
Sem distancia
Entre mundos opostos (eterno e transitório).

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Devaneios...



Ofusca o brilhar da alma
Alucina o viver sem sentido
Traga a fumaça que toma o peito
Cospe o amável coração bandido

Deveras mesmices no fim do mesmo
Que mesmo não sendo assim será
Deturpa o sentimento forte
Afaga o destino amante da sorte

Do país das maravilhas á maravalhas
Das coisas da vida, do fim e o meio
No campo as Ilíadas ressalva
O apanhador no campo de Centeio

Que no frio a bondade aqueça
No calor um gole na cerveja
Para a dor acalmar, o ópio
E empatia, jamais a fraqueza.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Eu também (os olhos)



Logo ali estava o velho campo que por vezes nos meus dias "sei lá" me vi a observar as pessoas a jogar sentado no mesmo banco da velha praça que tanto me atrai. Várias horas já perdi ali esperando no mínimo um sorriso, várias vezes meus sorrisos espalharam-se por ali, tantos dias as horas voaram... Mas não dessa vez?
O tempo passa... pessoas passam, seus olhos passam, continuam, o bronze o leva... mas eles param e voltam como se o silêncio dissesse tudo. Algumas palavras e parece que ainda são os mesmos dias quando sorri e pede que conte algo, quando duvida do que conto...E lá se foi ver o anjo com a jura de que volta.
É, de fato retorna... os devaneios giram e dançam velozes em minha mente junto a percepção de que muitas coisas não mudam por mais que passem os anos... Por onde estive esses anos? Lembro apenas das horas invisível aqui na praça.
Mais uma vez as horas voaram... vai de volta a teu mundo que não faço parte...
Depois de anos o velho abraço que não existe melhor... Saudade... Eu também...
Obrigado por salvar minha vida hoje.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Cidade em chamas



Quando o ponto final tornasse reticente, com certeza as rachaduras doem mais que um largo corte. Em nome da loucura o riso frouxo mostrou sua rebeldia quando a razão tentou lhe tirar o juízo julgando a alegria como sentimento ensandecido e aflorado nos tolos... Tolice acreditar que algum dia a razão mostrasse a face dura da falta de amor, pois se deu a falência múltipla dos sentimentos.
Acelerando em ruas vazias segue o homem que tornou-se dono do próprio destino, vê ao longe tudo desmoronar e encontrasse no mesmo lugar... O tempo para... são só ruínas...
"Começar tudo outra vez..."
Quando um ponto final tornasse reticente, com certeza as rachaduras doem mais que um largo corte. Em uma rua vazia segue o homem deus... Eis que a vida faz sentido? Por que está tão sério?
São cortes e cicatrizes a contar essa história, talvez memórias de dias ruins (ou bons) que passam de forma veloz a frente dos olhos de vidro do senhor do destino, do sonhador machucado... do anjo caído.
Seguindo solitário, o homem só, sente o tempo em si, sente a vida esvair, mas não sente mais o que um homem só pode sentir.