quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Devaneios...
Ofusca o brilhar da alma
Alucina o viver sem sentido
Traga a fumaça que toma o peito
Cospe o amável coração bandido
Deveras mesmices no fim do mesmo
Que mesmo não sendo assim será
Deturpa o sentimento forte
Afaga o destino amante da sorte
Do país das maravilhas á maravalhas
Das coisas da vida, do fim e o meio
No campo as Ilíadas ressalva
O apanhador no campo de Centeio
Que no frio a bondade aqueça
No calor um gole na cerveja
Para a dor acalmar, o ópio
E empatia, jamais a fraqueza.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Eu também (os olhos)
Logo ali estava o velho campo que por vezes nos meus dias "sei lá" me vi a observar as pessoas a jogar sentado no mesmo banco da velha praça que tanto me atrai. Várias horas já perdi ali esperando no mínimo um sorriso, várias vezes meus sorrisos espalharam-se por ali, tantos dias as horas voaram... Mas não dessa vez?
O tempo passa... pessoas passam, seus olhos passam, continuam, o bronze o leva... mas eles param e voltam como se o silêncio dissesse tudo. Algumas palavras e parece que ainda são os mesmos dias quando sorri e pede que conte algo, quando duvida do que conto...E lá se foi ver o anjo com a jura de que volta.
É, de fato retorna... os devaneios giram e dançam velozes em minha mente junto a percepção de que muitas coisas não mudam por mais que passem os anos... Por onde estive esses anos? Lembro apenas das horas invisível aqui na praça.
Mais uma vez as horas voaram... vai de volta a teu mundo que não faço parte...
Depois de anos o velho abraço que não existe melhor... Saudade... Eu também...
Obrigado por salvar minha vida hoje.
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Cidade em chamas
Quando o ponto final tornasse reticente, com certeza as rachaduras doem mais que um largo corte. Em nome da loucura o riso frouxo mostrou sua rebeldia quando a razão tentou lhe tirar o juízo julgando a alegria como sentimento ensandecido e aflorado nos tolos... Tolice acreditar que algum dia a razão mostrasse a face dura da falta de amor, pois se deu a falência múltipla dos sentimentos.
Acelerando em ruas vazias segue o homem que tornou-se dono do próprio destino, vê ao longe tudo desmoronar e encontrasse no mesmo lugar... O tempo para... são só ruínas...
"Começar tudo outra vez..."
Quando um ponto final tornasse reticente, com certeza as rachaduras doem mais que um largo corte. Em uma rua vazia segue o homem deus... Eis que a vida faz sentido? Por que está tão sério?
São cortes e cicatrizes a contar essa história, talvez memórias de dias ruins (ou bons) que passam de forma veloz a frente dos olhos de vidro do senhor do destino, do sonhador machucado... do anjo caído.
Seguindo solitário, o homem só, sente o tempo em si, sente a vida esvair, mas não sente mais o que um homem só pode sentir.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Frases soltas
Só quem morre está completo e pleno, pois quem vive é metamórfico, inconstante, evolutivo e a plenitude só invade a alma que se liberta da carne.
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Cinza
Entre o passo dos dias que nunca se vão, pois tendes um olhar deprimido que vaga no nada e continua perdido a procura da própria alma que o abandonou. Talvez seja uma maldição, praga ou como queira chamar, talvez nunca seja nada, ou nunca foi, talvez...
E quem um dia gritou que não fugiria a luta também cai em dias ruins, perde em dias que não se é especial pra ninguém, apenas respira e torce que as horas passem nesses miseráveis momentos que toda a alegria parece tão menor que a tristeza absoluta e sem razão, é o choro de um ser que sente-se preso, mas nem sabe a que, é um clamor a liberdade, é uma simples luta para viver e ser abraçado...
Mas é justamente nesses dias que ninguém percebe que você existe e só quer um abraço.
domingo, 28 de julho de 2013
Anjo
Por dias a saudade vem e não mais ali te vejo
O desejo de um verdadeiro abraço
A vontade de te ver naquele velho e branco sofá
Por horas me pergunto se realmente se foi, pois ainda te sinto perto
Do último abraço apertado que em mim ficou
Das palavras doces que fazem parte do meu ser
De todo o amor o maior sempre será o seu
E em vida eu perdi a melhor parte de mim
Chorei, foi foda, mas contigo aprendi a ser forte
Levantei e hoje posso dizer que cresci e continuo crescendo
Não que eu te esqueci pra crescer, mas por lembrar-te me torno melhor
Se hoje eu sou a pessoa que busca os sonhos é por te ouvir sempre
Ainda lembro a última vez que te carreguei em meus braços
Da última vez que conversamos e rimos
Lembro todos os elogios e conselhos
Vó, hoje eu posso dizer que sei o que é amor...
E amor pra mim, sempre será você.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Profano
Enquanto havia luz, os longos passos percorriam os trilhos em vaga escala do tempo que não se ia, por onde iam os pés descalços com calos castos e sofrer de dor. Enquanto havia luz, um lindo brilho angelical confundia-se ao frio fantasmagórico que vinha do sorriso belo e fatal, mas apenas enquanto havia luz...
Enquanto havia luz, os lobos dançavam ao luar da noite quente em que as crianças perdidas brincavam na Terra do Nunca, pois... Enquanto havia luz uma princesa vivia o sonho de sorrir para o pequeno garoto que sempre veste as mesmas vestes e prova o quanto é feliz. Enquanto havia a luz, a luz eu via enquanto havia o céu, pois enquanto havia o céu, o mar veio avisar sobre os ventos que sopravam do norte para os que a sorte contam ou a deixam cantar. Enquanto havia luz, as sombras dançavam bêbadas e pagãs a meia noite fazendo abrigo no coração vagabundo do guardião dos sonhos. Enquanto havia luz, os medos da criadora de gatos confundia-se ao gemidos de amor e profanidade da vizinha jovem e sagaz que morava no andar de cima...
Pois enquanto havia luz, a terra mãe gritou por mudança, mas o ego tamanho do pequeno homem "humano" trouxe a escuridão do papel que valia mais que toda a beleza.
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